Compreender profundamente o problema
Nesta aula
Investigar sem converter hipótese em fato
O responsável pela Oficina Caracol diz: precisamos de um assistente automático porque as pessoas perguntam sempre as mesmas coisas. Essa frase contém um sintoma e uma solução preferida. Ainda não explica por que as perguntas se repetem, quais informações faltam nem se um catálogo claro resolveria parte da necessidade. Investigar é reduzir essas incertezas antes de assumir o custo de uma solução.
Fato é uma observação delimitada por origem e contexto. Hipótese é uma explicação ainda a verificar. Preferência é uma escolha desejada por alguém. Os três tipos podem ser úteis, mas não têm o mesmo valor como evidência. A frase visitantes não entendem nada transforma uma interpretação ampla em diagnóstico; a frase três participantes não localizaram o título na tarefa observada permite examinar algo concreto.
Os números do exemplo a seguir são inteiramente simulados para ensinar o raciocínio. Não representam pesquisa realizada com usuários deste livro. Mesmo uma observação real de poucas pessoas orientaria uma investigação local, sem provar automaticamente o comportamento de todo o público.
Do relato ao mapa de perguntas
| Informação fornecida no cenário | Classificação | Próximo passo |
|---|---|---|
| Quatro de seis dúvidas simuladas pedem quais serviços estão disponíveis. | Dado do exercício, com universo de seis ocorrências. | Verificar se a disponibilidade está clara no catálogo. |
| O visitante não lê porque prefere conversar. | Hipótese. | Observar uma tarefa antes de atribuir a causa à preferência. |
| O patrocinador deseja um assistente com animação. | Preferência. | Comparar custo e benefício com a melhoria do conteúdo. |
| Um serviço inativo aparece na listagem atual do cenário. | Defeito observado no exemplo. | Reproduzir com entrada conhecida e associar a REQ-002. |
Não precisamos escolher entre ouvir a pessoa e verificar o sistema. A entrevista ajuda a descobrir situações; a observação permite confrontar o relato com uma tarefa; dados de execução ajudam a delimitar o comportamento técnico. Quando as fontes divergem, registramos a divergência em vez de apagar a informação menos conveniente.
Procedimento de descoberta proporcional
- Defina uma pergunta de decisão: a disponibilidade dos serviços está compreensível o suficiente para dispensar uma explicação inicial?
- Peça que a pessoa descreva a última situação concreta. Pergunte o que tentou fazer, onde parou e qual consequência ocorreu.
- Observe uma tarefa curta com dados fictícios, sem orientar cada clique. Registre somente o que é necessário ao estudo e obtenha autorização para eventual registro com pessoas.
- Separe frequência de gravidade. Uma falha rara que expõe informação indevida pode ser prioritária.
- Formule uma hipótese testável e escolha uma intervenção pequena. A primeira tentativa pode ser corrigir a seleção e a mensagem de vazio.
- Defina quando parar a análise: existe informação suficiente para uma experiência reversível, ou falta uma decisão que tornaria a experiência inadequada?
Uma formulação de problema preenchida
Registro de estudo em pratica/docs/problema.md: visitantes precisam identificar serviços disponíveis sem fornecer dados pessoais. No cenário fornecido, a listagem mistura ativos e inativos e não explica a ausência de resultados. A primeira intervenção será apresentar somente ativos e tornar explícitos os estados vazio e inválido. A hipótese é que a informação inicial ficará mais clara; sua utilidade para pessoas reais ainda precisará ser avaliada.
Observe as fronteiras dessa formulação. A mistura de estados está no cenário. A melhora de compreensão é uma hipótese. A decisão de não coletar dados pessoais é uma restrição do projeto. Nenhuma dessas frases exige construir um assistente antes de experimentar uma resposta menor.
Erros de investigação e avanço
| Erro | Reparo |
|---|---|
| Perguntar você gostaria de um catálogo melhor | Pedir que a pessoa realize uma tarefa e localizar a dificuldade concreta. |
| Ouvir só quem financia | Incluir a perspectiva de quem usa e de quem mantém, conforme o contexto. |
| Continuar pesquisando sem decisão | Relacionar cada pergunta à escolha que ela pode mudar. |
| Tratar baixa frequência como baixo impacto | Examinar consequência, reversibilidade e exposição de dados. |
Podemos avançar para o recorte da versão quando a necessidade, o público e as incertezas relevantes estão explícitos e existe uma intervenção justificável. Não precisamos conhecer todas as causas; precisamos saber o suficiente para escolher um passo responsável e reconhecer o que esse passo poderá demonstrar.
Exercício resolvido
Dados: entre seis dúvidas simuladas, quatro perguntam disponibilidade, uma pergunta preço e uma pede ajuda para usar teclado. O responsável conclui: precisamos de chat, e o teclado pode esperar porque só apareceu uma vez. Classifique as duas conclusões e proponha a primeira investigação.
Ver solução comentada
Solução: a necessidade de chat é uma hipótese de solução, não consequência obrigatória da contagem. Descartar teclado somente pela frequência ignora o impedimento de acesso e REQ-004. A primeira investigação pode confrontar a listagem com ativos e inativos e executar a tarefa por teclado. A resposta deve conservar o universo de seis ocorrências, evitar generalização estatística e propor observações que alterem a decisão. Não é preciso prometer que corrigir o catálogo eliminará todas as dúvidas.
Referências para aprofundamento
Aprofundamento: S01, Software Requirements, tema Requirements Elicitation. O exercício utiliza dados simulados para praticar descoberta e formulação, sem pretender substituir uma investigação com usuários.
Fontes relacionadas
Consulte os limites e as seções de apoio de cada referência.
S01Tente o exercício antes de consultar a solução. Marque a aula para organizar sua leitura.
A conclusão desta leitura não equivale a certificação ou aceite de um projeto real. Teste os exemplos no escopo indicado e registre as limitações.